quinta-feira, junho 4

Pinhão conquista destaque nas refeições escolares da rede estadual

O pinhão, ícone da cultura e da culinária do Paraná, passa a compor os cardápios das escolas estaduais entre os meses de junho e agosto. Essa ação não apenas reforça a agricultura familiar, mas também proporciona aos alunos o acesso à semente típica da araucária durante o período de colheita e comercialização, sendo o Paraná o estado que mais produz essa iguaria no Brasil.

Nos últimos sete anos, mais de 36 toneladas de pinhão foram distribuídas nas escolas estaduais, resultando em um investimento de R$ 311 mil. Esse programa beneficiou 470 instituições de ensino em 86 municípios paranaenses. Para os anos de 2024 e 2025, já foram enviadas mais de 12 toneladas do produto para 344 escolas em 73 municípios, com a expectativa de que o fornecimento continue neste ano.

Roni Miranda, secretário estadual da Educação, ressalta que a inclusão do pinhão na merenda escolar é uma forma de valorizar tanto a cultura local quanto a produção regional. “Incluir o pinhão nos cardápios aproxima os alunos de um alimento tradicional do nosso estado e ao mesmo tempo enriquece as opções nutritivas disponíveis nas escolas”, destaca.

Além da sua importância cultural, o pinhão se destaca pelo seu valor nutricional. Rico em fibras, vitaminas e minerais, esse alimento é uma excelente fonte de energia e contribui para uma dieta equilibrada. Pode ser utilizado como complemento ou como substituto parcial para ingredientes comuns como arroz, batata, mandioca e milho.

A diversidade do pinhão permite que ele seja incorporado em receitas adaptadas aos hábitos alimentares dos estudantes durante os meses mais frios

PREPARAÇÕES

Elissandra Brito, nutricionista do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional (Fundepar), informa que a rede estadual adquire o pinhão fresco e ele pode ser servido cozido ou utilizado em diversas preparações culinárias feitas pelas equipes responsáveis pela alimentação escolar. Entre as opções estão sopas, refogados, tortas salgadas, risotos e farofas. “A versatilidade do produto possibilita sua adoção em receitas que atendem aos hábitos alimentares dos alunos durante os dias mais frios”, afirma.

A receptividade do pinhão entre os estudantes é notável em várias unidades da rede estadual. No Colégio Estadual Professor Máximo Asinelli, localizado em Curitiba, a chegada do frio coincide com a introdução desse ingrediente na merenda escolar. Além de oferecer um dos sabores característicos do inverno paranaense aos alunos, essa iniciativa também fortalece a identidade cultural da região.

Delirio Bonin, diretor da instituição mencionada, declara que os alunos aprovam a oferta do pinhão. “Para nós é mais uma alternativa deliciosa durante esta época fria. Os estudantes apreciam muito e dizem que é tão aconchegante quanto as comidas feitas pela avó”, comenta.

PARANÁ LIDERA PRODUÇÃO NACIONAL

A inclusão do pinhão na alimentação escolar não só enriquece a cultura regional como também tem um impacto significativo na economia paranaense. Dados de 2024 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmam que o Paraná é o maior produtor nacional dessa semente, com uma produção total de 4.800 toneladas – um volume 30% superior ao segundo colocado no ranking nacional, Santa Catarina, que produziu 3.700 toneladas.

No cenário estadual, informações recentes da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) revelam que em 2024 o Paraná atingiu seu maior volume histórico de produção de pinhão: 5.022 toneladas. Comparado com os números de 2015 — quando foram registradas apenas 3.130 toneladas — isso representa um crescimento significativo de 60,4%. O Valor Bruto da Produção (VBP) real também aumentou nesse período, passando de R$ 13,8 milhões para R$ 25,8 milhões; dados referentes a 2025 e 2026 ainda estão sendo consolidados.

PRINCIPAIS PRODUTORES

A maior parte da produção do pinhão no Paraná está concentrada na região Centro-Sul. O município de Pinhão se destaca como líder na produção com 880 toneladas em 2024 — correspondendo a 17,5% da produção total do estado. Logo atrás estão Inácio Martins com suas 750 toneladas (14,9%) e Turvo com 440 toneladas (8,8%). Juntos, esses três municípios representam cerca de 42% da produção paranaense total.

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