sábado, junho 13

Paraná garante erradicação da poliomielite e outras doenças por meio de vacinação e monitoramento rigoroso

O Estado do Paraná se destaca por ter erradicado doenças que, por muitos anos, causaram mortes, sequelas permanentes e surtos em diversas partes do Brasil. Essa conquista é fruto de um robusto sistema de vacinação, juntamente com altos índices de cobertura vacinal, vigilância epidemiológica e uma resposta rápida organizada pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), em colaboração com os 399 municípios paranaenses.

Uma das estratégias fundamentais para garantir a continuidade da erradicação dessas doenças é manter altos índices de vacinação. A Sesa alerta que uma diminuição nas taxas de imunização pode facilitar o retorno de enfermidades previamente controladas no país, especialmente considerando a circulação de vírus e bactérias em outras partes do mundo.

Entre as doenças que estão sob vigilância constante estão a poliomielite, que pode levar à paralisia infantil grave; a rubéola e sua síndrome congênita; além do tétano neonatal, historicamente ligado à mortalidade infantil. O Estado também realiza um monitoramento contínuo para evitar a reintrodução de doenças como sarampo e difteria, que embora estejam controladas no Brasil, ainda são prevalentes em outros países.

Segundo o secretário estadual da Saúde, Cesar Neves, o Paraná estabeleceu uma rede técnica capaz de reagir rapidamente a potenciais riscos epidemiológicos e prevenir a circulação de doenças já eliminadas. “Erradicar uma doença é um desafio significativo, mas manter esse status requer ainda mais responsabilidade. O Paraná conta com equipes capacitadas e um trabalho intensivo voltado para as coberturas vacinais, além de uma vigilância ativa que atua diariamente para evitar a reintrodução dessas doenças”, enfatiza.

A estrutura organizacional do estado inclui investigação imediata de casos suspeitos, rastreamento de contatos, monitoramento laboratorial e análise epidemiológica. Medidas emergenciais como a vacinação em bloqueio — que visa imunizar pessoas próximas a casos suspeitos — também são implementadas. Essas ações são realizadas em conjunto entre a vigilância estadual, as Regionais de Saúde e as secretarias municipais.

“Erradicar uma doença é um processo complexo, mas manter essa condição exige ainda mais responsabilidade. O Paraná possui equipes capacitadas, um trabalho intensivo para a cobertura vacinal e uma vigilância ativa que atua diariamente para impedir a reintrodução dessas enfermidades”

AVANÇOS
A poliomielite ilustra bem os progressos feitos nesse sentido. Desde 1989, o Brasil não registra novos casos da doença; no entanto, o risco de reintrodução permanece devido à circulação do vírus em alguns países e à recente queda nas coberturas vacinais.

Para mitigar esse risco, a Sesa tem intensificado suas campanhas de conscientização e ações para recuperar as taxas vacinais, além de buscar ativamente crianças não imunizadas. O estado monitora indicadores vacinais e oferece suporte técnico contínuo aos municípios.

Outro marco importante é a eliminação do tétano neonatal, alcançada através da ampliação da vacinação durante a gestação, fortalecimento das consultas pré-natais e melhorias na assistência ao parto. A rubéola e sua síndrome congênita foram controladas por meio de campanhas eficazes de imunização e monitoramento epidemiológico constante.

A diretora de Atenção e Vigilância em Saúde da Sesa, Maria Goretti Davi Lopes, adverte que o desaparecimento dessas doenças não significa estar livre do risco. “Muitas gerações não tiveram contato com essas enfermidades e podem subestimar sua seriedade. A vigilância deve ser contínua porque qualquer redução na cobertura vacinal pode permitir o retorno dessas doenças já eliminadas”, afirma.

Maria Goretti enfatiza que todas as vacinas do calendário nacional estão disponíveis sem custo nas unidades de saúde do estado e ressalta a importância da atualização da carteira vacinal em todas as idades.

CONQUISTAS EXPRESSIVAS
No cenário atual, o Paraná tem apresentado reduções significativas nos índices relacionados à sífilis e HIV. O estado conseguiu eliminar a transmissão vertical do HIV e recebeu o Selo Bronze por seus esforços na luta contra sífilis. Além disso, 16 municípios paranaenses foram reconhecidos por diferentes níveis de eliminação ou certificação por boas práticas. Toledo se destacou como a única cidade brasileira a conquistar o certificado de eliminação dupla das infecções por HIV e sífilis.

A transmissão vertical ocorre quando o vírus é transmitido da mãe para o bebê durante gestação, parto ou amamentação. Para evitar essa forma de contágio, é crucial que as gestantes realizem acompanhamento pré-natal com todos os testes necessários disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que oferece insumos para prevenção e tratamento como preservativos, testes rápidos e laboratoriais, antibióticos e antirretrovirais.

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