A partir de 3 de novembro, o Governo do Paraná, através da Secretaria de Estado da Cultura (Seec), inicia o primeiro ciclo dos Museus Satélites. Este programa inédito leva exposições itinerantes dos museus estaduais para fora da capital, promovendo uma nova abordagem na forma como a cultura é disseminada no estado.
Os acervos anteriormente limitados à cidade de Curitiba agora serão apresentados em diversas localidades. O Museu Paranaense (MUPA), o Museu de Arte Contemporânea do Paraná (MAC Paraná), o Museu da Imagem e do Som do Paraná (MIS-PR) e o Museu Alfredo Andersen (MAA) começarão a se estabelecer em várias regiões, contribuindo para a descentralização do patrimônio cultural paranaense.
Segundo o calendário das novas exposições, a inauguração do MUPA em Guarapuava está marcada para o dia 3 de novembro, às 19h30, na rua Capitão Frederico Virmond, 1.913 – Centro.
Com uma história que remonta a 25 de setembro de 1876, o MUPA é reconhecido como o terceiro museu mais antigo do Brasil. Ao longo dos anos, essa instituição passou por diversas mudanças físicas e conceituais que incluíram a relocação de sua sede e alterações em sua missão e interação com a sociedade.
Luciana Casagrande Pereira, secretária de Cultura do Paraná, destaca que “o programa Museus Satélites marca o início de uma nova fase na museologia paranaense”. Ela ressalta que “pela primeira vez os museus estaduais estão se espalhando por todas as regiões, possibilitando uma circulação sem precedentes do nosso valioso acervo cultural. A descentralização da cultura está avançando rapidamente”, complementa.
Os Museus Satélites estão distribuídos em oito macrorregiões do Paraná, abrangendo cidades como Londrina, Pato Branco, Maringá, Cascavel, Tunas do Paraná, Guarapuava, Ponta Grossa e Paranaguá. Cada unidade foi estruturada com parte do acervo de um museu estadual ao ser inaugurada e agora as exposições serão rotacionadas entre essas unidades, garantindo a circulação contínua dos acervos pelo estado.
Cauê Donato, coordenador do Sistema Estadual de Museus, explica que a estrutura dos Museus Satélites é fundamentada em três pilares: difusão, formação e mediação cultural.
Ele observa que cada Satélite atua como um centro ativo em diálogo constante com a comunidade local e colabora com as administrações municipais. “A rotação periódica dos acervos fortalece os laços de identidade e pertencimento, permitindo que a memória regional se conecte com a história e produção cultural paranaense”, afirma ele.
DESCENTRALIZAÇÃO
A expansão desse programa faz parte de um movimento amplo voltado à descentralização cultural no Paraná. Essa tendência já pode ser observada em outras iniciativas estruturantes da SEEC, como as atividades do Museu Oscar Niemeyer (MON) em Cascavel, que desde 2023 realiza mostras contínuas no Complexo Cultural Sefrin Filho. Além disso, o projeto MON sem Paredes transformou o Parque Estadual de Vila Velha em Ponta Grossa em um museu ao ar livre.
Além da atuação regionalizada, o estado também busca expandir sua política cultural internacionalmente com a criação do Centre Pompidou Paraná em Foz do Iguaçu — sendo esta a primeira filial do renomado museu francês nas Américas — além do Museu da Ponte de Guaratuba. Este novo espaço cultural visa preservar a memória da construção da ponte e valorizar a cultura caiçara; sua inauguração está prevista para 2026.
