Kleber de Peder Negrisoli, docente do Departamento de Letras (Delet) da Universidade Estadual do Centro-Oeste, teve a honra de representar o Brasil no 20º ICCD – Campeonato Mundial de Xadrez para Surdos. O evento ocorreu entre 5 e 16 de maio em Roquetas de Mar, na Espanha, e contou com a participação de destacados enxadristas da comunidade surda global.
Como professor do curso de Letras-Libras e campeão nacional na modalidade, Kleber viu nessa competição internacional uma chance valiosa para aumentar a visibilidade dos jogadores surdos brasileiros no cenário esportivo. Para ele, a participação no torneio significou um marco tanto em nível pessoal quanto coletivo. “Participar do Campeonato Mundial é extremamente relevante para mim, representando também a comunidade surda”, declarou.
Embora as regras do xadrez para surdos sejam idênticas às do xadrez convencional, a comunicação acessível se destaca como a principal diferença. Kleber esclarece que os organizadores fazem uso de recursos visuais durante as partidas: “O aspecto mais importante é garantir que todos possam se comunicar efetivamente. Os árbitros utilizam sinalizações luminosas e avisos escritos. O ambiente é adaptado para assegurar que todos os atletas recebam as mesmas informações”, explica.
Para o professor, estar presente no mundial representa uma significativa conquista em termos de visibilidade. “Ter essa oportunidade é fundamental para mim, tanto pessoalmente quanto como representante da comunidade surda”, afirma. Um dos aspectos mais fascinantes da experiência na Espanha foi o contato com diversas línguas de sinais. Ele observa que, assim como as línguas faladas, as línguas de sinais variam entre as nações: “É uma chance valiosa para troca cultural e valorização da inclusão. Cada país tem sua própria língua de sinais com gramática e estrutura distintas. No Brasil usamos Libras, enquanto na Espanha falamos Língua de Sinais Espanhola”, detalha. Durante o torneio, a comunicação entre os atletas se deu por diversos meios: “Conseguimos nos entender através de sinais internacionais, expressões visuais e compartilhando experiências culturais. Aprender com atletas de outras partes do mundo foi muito enriquecedor”, comenta.
A paixão de Kleber pelo xadrez remonta a muitos anos, fundamentada na disciplina exigida pelo jogo. “Meu interesse começou pela estratégia e pela concentração que o xadrez demanda. Com o tempo, fui me dedicando mais e me aprofundando nesse esporte”, recorda. Além dos desafios em campo, o professor teve que superar os efeitos físicos da viagem internacional: “A diferença de fuso horário impactou bastante nos primeiros dias. O corpo leva um tempo para se adaptar aos novos horários de sono e alimentação das partidas, mas logo consegui me acostumar.”
No final do 20º ICCD – Campeonato Mundial de Xadrez para Surdos, a equipe brasileira ficou em 13ª posição entre 14 países participantes, acumulando 4 pontos. O torneio reuniu seleções tradicionais como Polônia, Sérvia e Cazaquistão, que garantiram os primeiros lugares na competição. Apesar dos adversários experientes no cenário internacional, a participação do Brasil destacou sua presença no xadrez para surdos em um dos principais torneios globais dessa modalidade.
Com planos ambiciosos para o futuro, o professor já está traçando seus próximos passos após o mundial. Um dos seus principais objetivos é conquistar a Bolsa Atleta, buscando apoio para continuar representando o Brasil e promovendo a prática do xadrez entre a comunidade surda brasileira.
