Manifestação pacífica em Paranaguá une sindicatos, autoridades municipais e representantes do setor portuário contra proposta que pode alterar as normas de trabalho no setor
Na manhã desta quarta-feira (20), uma caminhada foi organizada em Paranaguá com o intuito de reforçar a solidariedade entre os sindicatos e proteger os direitos dos trabalhadores portuários avulsos (TPAs). O evento foi uma resposta ao Projeto de Lei (PL) 733, que sugere uma revisão no marco regulatório do setor portuário brasileiro. A mobilização contou com a presença de trabalhadores, lideranças sindicais, representantes da sociedade civil e autoridades municipais preocupadas com as possíveis consequências da proposta.
A manifestação teve início em frente ao Porto de Paranaguá e seguiu até a Praça dos Leões, localizada em frente à Prefeitura. O principal objetivo do ato foi garantir a exclusividade da mão de obra dos trabalhadores portuários avulsos, considerada essencial para a segurança financeira e estabilidade de milhares de famílias.
O prefeito Adriano Ramos marcou presença na manifestação e expressou sua oposição à proposta. “É fundamental que estejamos todos juntos contra a PL 733, que prejudica os trabalhadores ao retirar a exclusividade das atividades nos portos. Nossa posição é clara: somos contrários à PL e favoráveis aos trabalhadores. Se necessário, iremos a Brasília quantas vezes forem precisas para defender esses empregos”, declarou.
A vice-prefeita Fabiana Parro também se manifestou, salientando os impactos sociais e econômicos que a proposta pode trazer para o município. “A nossa presença aqui é um sinal de apoio e reconhecimento do quanto essa PL pode afetar não apenas os trabalhadores portuários, mas também caminhoneiros e suas famílias. Essas pessoas são fundamentais para a economia local e podem ser diretamente atingidas. É crucial que o município esteja ao lado deles”, afirmou.
Adalberto Araújo, presidente da Câmara Municipal, ressaltou que a discussão transcende os interesses da categoria e afeta toda a economia local. “A renda gerada pelos trabalhadores portuários avulsos é vital para Paranaguá. Esse capital circula na cidade e beneficia diversos setores. Portanto, comerciantes, prestadores de serviços e a população em geral devem se envolver nessa discussão”, enfatizou.
João Fernando da Luz, conhecido como Nando, presidente do Sindicato dos Estivadores de Paranaguá (Sindestiva), explicou que o propósito da manifestação era chamar atenção dos parlamentares encarregados pela análise da proposta.
“Queremos sensibilizar o relator do projeto para assegurar que os direitos dos trabalhadores e das famílias que dependem dessa atividade sejam preservados, garantindo assim uma renda digna”, destacou.
Durante o ato, representantes do setor enfatizaram a relevância dos TPAs para o funcionamento eficiente do porto, além de criticar a ideia de que considerar a mão de obra um fator encarecedor das operações seja aceitável.
“Quando ocorrem paradas no porto devido a fatores externos como chuvas intensas, os trabalhadores ficam sem remuneração. Muitos já sofreram perdas significativas ao longo dos anos. Encarar a mão de obra como um custo excessivo é inaceitável. A posição do Porto de Paranaguá é firme em defesa do trabalhador portuário avulso”, afirmou uma das lideranças presentes.
Os manifestantes pediram pela manutenção da exclusividade da mão de obra portuária avulsa e solicitaram revisões em aspectos da PL 733, argumentando que mudanças poderiam gerar impactos econômicos e sociais nas cidades portuárias em todo o país.
Fonte: PMP / jornalista: Edye Venancio
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