quinta-feira, julho 23

Importações de trigo no Estado despencam 14% no primeiro semestre

No Paraná, as importações de trigo sofreram uma diminuição no primeiro semestre de 2026, refletindo uma tendência nacional. Conforme o último boletim do Departamento de Economia Rural (Deral), o estado importou 413 mil toneladas, cifra inferior às 481 mil toneladas registradas no mesmo intervalo do ano anterior.

Essa redução de 14%, equivalente a 68 mil toneladas a menos, está relacionada à queda geral nas importações brasileiras, conforme dados do Agrostat/Mapa. As compras de trigo no Brasil caíram de 3,57 milhões para 2,77 milhões de toneladas nos primeiros seis meses deste ano.

Havia a expectativa de que o semestre atual apresentasse um aumento nas compras devido à diminuição da safra brasileira em 2025 e às previsões de uma colheita ainda menor em 2026. “Com a não confirmação dessa projeção, surge um cenário de incerteza para o segundo semestre, quando os moinhos precisarão repor seus estoques. Com a urgência na necessidade de importação, os preços internos podem ser mais impactados pela volatilidade do mercado internacional e das taxas cambiais”, destaca o relatório do Deral.

Como o maior centro moageiro do Brasil, o Paraná tende a enfrentar esses desafios com um impacto relativamente menor em comparação ao restante do país. Isso se deve à proximidade das fontes de produção local: nos estados da Região Sul, menos de 20% do trigo utilizado na moagem é importado, enquanto esse percentual ultrapassa os 60% nas demais regiões, segundo informações da Abitrigo.

EXPORTAÇÕES
No que diz respeito às exportações, o Paraná encerrou o primeiro semestre de 2026 com receitas totalizando US$ 8,9 bilhões, representando um crescimento de 5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse aumento foi impulsionado principalmente pelo Complexo Soja, que registrou uma alta de 18%, passando de US$ 3,05 bilhões em 2025 para US$ 3,6 bilhões em 2026.

O segundo grupo exportador mais relevante do estado foi o setor de carnes, que também teve um desempenho favorável com um crescimento na receita de 16%. Juntos, esses dois setores – carnes e Complexo Soja – foram responsáveis por mais de 70% da receita total das exportações paranaenses.

O Complexo Soja sozinho representou cerca de 40,4% das exportações totais do Paraná no primeiro semestre. Dentro desse grupo, a soja em grão destacou-se como o principal produto exportado, gerando receitas de US$ 2,43 bilhões e apresentando um crescimento de 12,5% em relação ao mesmo período anterior.

Na sequência aparece o farelo de soja com receitas que atingiram US$ 659,4 milhões e também apresentaram uma alta superior a 12%. O terceiro produto mais exportado foi o óleo bruto de soja, cujas receitas acumuladas alcançaram US$ 461,5 milhões, refletindo um impressionante crescimento superior a 73%, consolidando-se como o item com melhor desempenho comercial dentro do Complexo Soja.

Apesar da elevação na receita total gerada pelas exportações, houve uma ligeira queda no volume total enviado ao exterior, com uma retração de 3%. Essa diminuição é atribuída principalmente à redução nas quantidades exportadas de milho que permaneceram no mercado interno e à queda nas vendas externas dos produtos florestais e açúcar.

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