terça-feira, julho 21

Cuidado no cultivo: Instituto Água e Terra sinaliza riscos de frio e geadas para mudas

Com a aproximação do inverno e a queda das temperaturas, o Instituto Água e Terra (IAT) intensifica suas atividades de monitoramento e gestão, abrangendo 19 viveiros florestais e dois laboratórios de sementes no Paraná. A instituição é responsável por orientar sobre a produção, distribuição e plantio de mudas de espécies nativas em várias áreas do Estado.

O objetivo dessa atuação é minimizar as perdas causadas por geadas, secas e falta de água, além de garantir uma taxa mais elevada de sobrevivência das plantas utilizadas em projetos de restauração ambiental, incluindo a revitalização de áreas degradadas. O IAT está vinculado à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável (Sedest).

A bióloga Roberta Scheidt Gibertoni, profissional vinculada ao Instituto, esclarece que no período invernal, algumas espécies nativas demandam cuidados ainda mais rigorosos após o plantio, especialmente nas regiões mais suscetíveis a geadas e à falta d’água. As características climáticas dessa estação exigem uma análise cuidadosa tanto nos viveiros quanto nos projetos de plantio ao longo do Paraná.

“Temperaturas extremamente baixas podem prejudicar o enraizamento das mudas no campo, aumentando consideravelmente o risco de morte das espécies mais vulneráveis”, afirma Roberta.

Consequentemente, durante os meses mais frios, os viveiros florestais devem redobrar a atenção com questões como irrigação, manejo adequado, proteção e transporte das mudas. O frio intenso combinado com geadas e escassez hídrica pode impactar negativamente o crescimento das plantas, em especial das espécies que são mais sensíveis às condições climáticas da estação.

O protocolo do IAT confere autonomia aos coordenadores dos viveiros para decidir sobre a retirada e doação de mudas durante os períodos frios e secos, considerando fatores climáticos locais, disponibilidade das espécies e as particularidades de cada região paranaense.

“Em determinados momentos do ano, a oferta de mudas pode ser restringida para evitar perdas e assegurar um uso eficiente das espécies cultivadas nos viveiros”, explica Roberta.

LOGÍSTICA
A logística relacionada ao transporte e distribuição das mudas também é afetada pelas baixas temperaturas no Paraná. Durante os períodos em que o frio é mais intenso, é necessário um manejo cauteloso para prevenir danos durante o transporte e garantir que as plantas cheguem em boas condições aos locais designados para o plantio.

Além disso, certas espécies demonstram maior sensibilidade às condições climáticas do inverno. Por isso, um planejamento estratégico torna-se essencial na produção e na distribuição dessas mudas. O IAT considera aspectos como a disponibilidade das espécies, o propósito do plantio e as adaptações climáticas antes de permitir a retirada das mudas.

A variação das condições climáticas entre as diferentes regiões paranaenses também é um fator relevante. “Assim sendo, a retirada de mudas pode ser restringida conforme as características específicas de cada município atendido pelos escritórios regionais do IAT”, ressalta a especialista.

Temperaturas muito baixas podem comprometer o estabelecimento das mudas no campo e aumentar significativamente o risco de mortalidade das espécies mais sensíveis”

ESPÉCIES MAIS ADAPTADAS
Dentre as espécies que melhor se adaptam ao inverno estão mudas nativas como araucária, ipê-amarelo, bracatinga, pitanga, guabiroba e cerejeira-do-mato. Essas plantas tendem a apresentar desempenho superior durante essa estação fria, especialmente em áreas propensas a geadas.

Para aqueles que desejam realizar plantios neste período do ano, recomenda-se optar por dias com temperaturas menos rigorosas, evitando dias com geadas e assegurando irrigação adequada para as mudas recém-plantadas nos primeiros dias após seu plantio.

“É fundamental preparar o solo adequadamente e proteger as plantas contra ventos fortes e temperaturas extremas. Em áreas destinadas à recuperação ambiental, orientamos ainda a utilização de diversas espécies florestais nativas para garantir uma maior diversidade ecológica e melhor adaptação ao ambiente”, acrescenta Roberta.

RECUPERAÇÃO AMBIENTAL
A atuação dos viveiros geridos pelo IAT é essencial para promover a recuperação ambiental, preservação da biodiversidade e recomposição de áreas degradadas no Paraná. Por meio do Programa Paraná Mais Verde, o Estado tem ampliado sua capacidade de produzir e distribuir mudas – já foram distribuídas mais de 13 milhões de plantas nativas desde 2019. Essa iniciativa também fortalece os esforços voltados à restauração ecológica e à educação ambiental.

Através de um planejamento técnico criterioso, orientação à população e investimentos em práticas sustentáveis modernas, o Instituto busca assegurar que o processo de plantio ocorra com segurança, eficiência e conformidade às condições climáticas específicas de cada região paranaense.

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