quinta-feira, julho 9

Dicas de especialistas para conciliar estudos e estágio sem estresse

A conciliação entre estágio e estudos pode assemelhar-se a um verdadeiro malabarismo, e para muitos, essa é uma realidade desafiadora. A rotina frequentemente se torna sobrecarregada, com um aumento nas responsabilidades e a sensação constante de estar em uma corrida contra o tempo. Segundo a Pesquisa Global da Deloitte de 2025, 40% dos integrantes da Geração Z e 34% dos Millennials relataram sentir estresse ou ansiedade frequentemente, sendo que cerca de um terço deles atribui essa pressão ao trabalho, além das preocupações financeiras que se estendem para o futuro.

Diante desse cenário, é imprescindível encontrar uma forma de equilibrar os compromissos acadêmicos e o estágio. A boa notícia é que, com escolhas estratégicas e uma boa organização, é possível transformar esse período em uma fase rica em aprendizado, preservando a saúde mental e o bem-estar.

Jéssica Gondim, gerente de gestão de contratos da Companhia de Estágios, que se destaca na seleção de estagiários e jovens aprendizes, aponta que um erro comum entre os iniciantes na carreira é não reconhecer que as demandas variam em importância. “A romantização da produtividade leva muitos estudantes a pensarem que qualquer dificuldade decorre de uma má administração do tempo. No entanto, nem sempre isso é verdade; muitas vezes, a questão está na sobrecarga de tarefas”, explica.

Nessas circunstâncias, Jéssica aconselha que o caminho não é aumentar as horas trabalhadas ou sacrificar momentos de descanso. Em vez disso, ela recomenda revisar prioridades, ajustar expectativas e estabelecer limites claros. “Os estagiários devem aprender a diferenciar as tarefas prioritárias. Nem tudo precisa ser concluído imediatamente”, orienta.

Ela também ressalta que prazos para provas e outras obrigações acadêmicas geralmente são fixos e devem ser discutidos com o supervisor. Perguntas como ‘Qual é a data limite para este relatório?’ ou ‘Este projeto tem prioridade?’ são essenciais para evitar frustrações desnecessárias e retrabalhos”, afirma.

A coordenadora de RH da Companhia de Estágios, Ana Eliza Silva, sugere iniciar com um sistema básico para classificar as tarefas. “Dividir as atividades entre o que é urgente e inegociável, o importante mas flexível, e o que pode ser deixado para depois ajuda bastante”, indica.

De acordo com Ana Eliza, essa abordagem auxilia os jovens a saírem do piloto automático. “Quando tudo parece urgente, o estagiário vive sob constante tensão. Classificar as demandas pode diminuir a ansiedade e melhorar a qualidade do trabalho realizado.”

Jéssica Gondim enfatiza a importância da comunicação nesse período. “Notificar antecipadamente sobre semanas intensas ou períodos de provas demonstra responsabilidade e comprometimento”, diz ela. Tentar fazer tudo sozinho muitas vezes resulta em perda de qualidade nas entregas. “Quem busca abraçar todas as responsabilidades acaba prejudicando tanto seu desempenho no estágio quanto seus resultados acadêmicos”, ressalta.

“Os estagiários precisam aprender a priorizar suas tarefas. Nem tudo o que precisa ser feito é urgente e deve ser entregue imediatamente.”

FERRAMENTAS SÃO ÚTEIS MAS NÃO SÃO SOLUÇÕES MÁGICAS
Ana Eliza Silva observa que a tecnologia pode atuar como uma aliada valiosa quando utilizada com discernimento. “Aplicativos como Google Calendar ou Trello podem ajudar muito na visualização da rotina e na prevenção de conflitos horários. Configurar lembretes no celular para reuniões ou prazos pode ser muito útil”, explica. Contudo, ela alerta sobre a importância de escolher ferramentas adequadas às necessidades individuais.

“Muitos jovens ficam desmotivados ao tentarem usar sistemas complexos demais. O ideal é começar pelo simples: organizar o dia, definir horários para cada atividade e criar lembretes para compromissos importantes”, sugere.

Além disso, existe um processo de autoconhecimento necessário para que o estagiário compreenda qual estilo organizacional se adapta melhor a ele. “Compreender os próprios limites, gatilhos de estresse e períodos críticos de cansaço é fundamental”, afirma Ana Eliza. Conversar com pessoas confiáveis como colegas ou familiares pode ajudar a ajustar percepções e evitar decisões impulsivas.

ESTÁGIO DEVE COMPLEMENTAR A FORMAÇÃO ACADÊMICA
Outro aspecto destacado por Jéssica é que o estágio deve servir como um complemento à formação acadêmica do estudante. “Se o trabalho começa a competir diretamente com os estudos, isso indica que algo precisa ser reavaliado. A prioridade deve sempre ser a educação do estagiário”, enfatiza.

Cuidar da saúde mental deve ser uma prioridade mesmo diante das exigências tanto no estágio quanto na faculdade. Apesar dos momentos estressantes gerados por provas ou demandas no trabalho, reservar tempo para descanso e autocuidado é essencial. “Produtividade não significa estar ocupado constantemente; momentos de pausa são igualmente importantes para um bom desempenho profissional”, conclui.

A mente às vezes necessita desacelerar enquanto o corpo anseia por movimento após longos períodos sentado em frente ao computador; práticas esportivas podem ser benéficas nesse caso. Em outras situações, quando o corpo está cansado mas a mente busca estímulos como leitura ou música, alternar entre repouso físico e mental pode ser uma estratégia eficaz contra o estresse”, aconselha Ana Eliza.

A habilidade de equilibrar trabalho e estudo não se desenvolve instantaneamente; trata-se de um processo contínuo repleto de ajustes e decisões conscientes. Em um mercado profissional exigente como o atual, cultivar essa competência desde cedo pode impactar significativamente não só no desempenho profissional do jovem mas também em sua relação com o trabalho ao longo da vida.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *