Iniciativa da Itaipu Binacional e do Itaipu Parquetec abrangeu 21 territórios, promovendo formações para núcleos e juventude
Inspirados por experiências exitosas em diversas regiões da Europa, África e América Latina, cerca de 1.400 membros dos Núcleos de Cooperação Socioambiental se reuniram para o 1º ciclo de encontros de 2026, que teve seu encerramento em 25 de março. Durante este período, foram realizadas oficinas voltadas à educação midiática, beneficiando aproximadamente 400 jovens.
Entre os meses de fevereiro e março, os integrantes dos 21 Núcleos exploraram práticas inovadoras e discutiram como essas iniciativas podem ser adaptadas às suas realidades locais.
Os participantes representaram uma diversidade de instituições regionais, associações e organizações da sociedade civil, além do setor público. Estudaram casos como a corporação basca Mondragón na Espanha, a revitalização urbana de Bogotá na Colômbia e o programa “Um Milhão de Cisternas” do Governo Federal, entre outros exemplos com resultados positivos que podem servir de inspiração para ações nas suas localidades.
Elizabete Borges, da Cooperativa dos Produtores Familiares de Paiçandu (Coprofap), que participou do encontro no Núcleo Setentrião em Maringá, enfatizou a importância das discussões para a construção de soluções coletivas.
“Durante o evento, avançamos na ampliação do nosso trabalho enquanto Núcleo. Uma das ideias discutidas foi a criação de um banco comunitário de alimentos. Embora ainda esteja em fase inicial, essa proposta pode aproximar a comunidade do cooperativismo e fortalecer o entendimento sobre a agricultura familiar”, afirmou ela.
Rosani Borba, gestora do Convênio de Governança Participativa para a Sustentabilidade pela Itaipu, destacou que quando os membros dos Núcleos se conectam com iniciativas coletivas, ampliam suas perspectivas e conseguem identificar novas oportunidades para suas comunidades. “Esses encontros criam um ambiente propício à troca de experiências entre representantes de diferentes instituições”, acrescentou.
Karina Custódio, também gestora do convênio pelo Itaipu Parquetec e responsável pela área educacional, ressaltou que o primeiro ciclo deste ano representou um movimento significativo de articulação nos territórios. “Quando instituições se reúnem com um propósito comum, as ideias se transformam em ações concretas. A parceria com o Itaipu Parquetec visa conectar conhecimento e metodologias para que os Núcleos avancem com soluções que reflitam as necessidades locais”, disse.
Construção coletiva
A importância da integração das atividades nos Núcleos foi destacada pelos participantes. Os grupos de trabalho (GTs) são responsáveis por sistematizar as propostas desenvolvidas coletivamente para atuação nas comunidades.
Sandra Agnoatto, representante da Fundação Colibri — Associação de Familiares e Pessoas Autistas de Laranjeiras do Sul — participa do Núcleo Cantuquiriguaçu desde 2024 e tem contribuído com sugestões focadas no desenvolvimento regional.
“Busquei resgatar informações que mostram como as associações podem se beneficiar ao participar dos encontros dos Núcleos. As reuniões são interativas e visam melhorias para a região da Cantuquiriguaçu, que precisa avançar nos âmbitos ambiental, econômico e social”, afirmou Sandra.
O educador popular Ricardo Calegari, coordenador-geral do Ponto de Cultura no Sudoeste e Centro-Oeste paranaense, destacou o papel integrador do Núcleo ao reunir diferentes entidades.
“Recentemente, a região da Cantuquiriguaçu enfrentou um tornado em Rio Bonito do Iguaçu, evidenciando os impactos diretos na vida das pessoas. É crucial que a sociedade debata maneiras de mitigar desastres ambientais; nesse sentido, a Itaipu desempenha um papel fundamental ao fomentar esse diálogo”, ressaltou ele.
Juventude participativa
A programação dos encontros também incluiu a segunda edição das formações em Educação Midiática voltadas para os jovens dos territórios. Nas 21 oficinas oferecidas, aproximadamente 400 jovens aprenderam sobre o uso responsável das plataformas digitais e os perigos da desinformação.
Além das aulas teóricas, os participantes tiveram a oportunidade de criar vídeos curtos abordando temas definidos pelos grupos, incluindo questões como meio ambiente, degradação dos solos e águas e combate às fake news.
Victória Pohl, jovem de 18 anos oriunda de Barbosa Ferraz (PR), expressou sua satisfação com a dinâmica da formação: “Achei muito interessante porque aprendemos sobre o tema enquanto produzimos um vídeo com resultados bastante relevantes”.
Jovana Ramos, 22 anos e residente em Maringá, comentou: “Compreendi como a disseminação de notícias falsas aumentou no Brasil devido ao uso da inteligência artificial. Saio daqui consciente da importância de discutir esse assunto com as pessoas ao meu redor”.
Sobre os Núcleos
Estabelecidos em 2024 dentro do programa Itaipu Mais que Energia, os 21 Núcleos de Cooperação Socioambiental constituem uma iniciativa alinhada às estratégias governamentais brasileiras focadas no meio ambiente e na transformação econômica e social. Esta ação é coordenada conjuntamente pela Itaipu Binacional e pelo Itaipu Parquetec através do programa Governança Participativa para a Sustentabilidade e abrange todos os 399 municípios do Paraná além dos 35 localizados no sul do Mato Grosso do Sul—área prioritária da usina.
Os Núcleos operam como espaços dedicados à escuta ativa, formação educacional baseada na metodologia participativa. O objetivo primordial é mobilizar coletivamente as instituições parceiras visando à melhoria da qualidade de vida nas comunidades locais e à promoção de um futuro sustentável.
