terça-feira, julho 21

Cachalote encalhado é resgatado na Ilha do Mel para cuidados especiais

Fêmea juvenil tinha marcas de mordidas de tubarão e está em tratamento no Centro de Reabilitação da UFPR em Pontal do Paraná

Um raro cachalote-anão (Kogia sima), mamífero marinho da família de golfinhos e baleias (cetáceos), ficou encalhado na manhã de quarta-feira na porção oeste da Ilha do Mel, em Paranaguá.

Trata-se de uma fêmea juvenil com cerca de 2,10 metros, que foi resgatada pela equipe do Laboratório de Ecologia e Conservação da Universidade Federal do Paraná (LEC-UFPR) e encaminhada para o Centro de Reabilitação, Despetrolização e Análise de Saúde da Fauna Marinha (CReD/UFPR). O animal está sendo monitorado de perto devido ao seu estado de saúde delicado.

O cetáceo foi avistado por populares que acionaram o LEC, responsável pela execução do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) no estado.

Uma equipe multidisciplinar foi rapidamente para o local para prestar os primeiros socorros, focando na estabilização e preparação para o transporte até o CReD, localizado no Centro de Estudos do Mar (CEM-UFPR), em Pontal do Paraná.

O animal apresenta várias escoriações pelo corpo e marcas compatíveis com mordidas de tubarão-charuto (Isistius brasiliensis).

O médico veterinário do PMP-BS/LEC-UFPR, Felipe Fukumori, ressaltou que o quadro clínico da fêmea requer atenção constante. “Estamos realizando todos os procedimentos necessários para estabilizar o animal, com suporte intensivo e monitoramento contínuo. As próximas horas são fundamentais para avaliar a resposta aos tratamentos iniciais”, destacou.

Registro raro em áreas costeiras

O registro do encalhe é incomum, visto que o cachalote é uma espécie rara em regiões costeiras, geralmente habitando águas oceânicas distantes da costa.

Liana Rosa, gerente operacional do PMP-BS/LEC-UFPR, afirmou que ocorrências como essa contribuem para expandir o conhecimento sobre espécies marinhas com poucas informações sobre sua ocorrência no Brasil. Segundo ela, “Por ser um animal de hábitos oceânicos e discreto, muitos dos registros nacionalmente estão relacionados a situações de encalhe. Cada ocorrência é uma oportunidade importante para coleta de dados e compreensão da biologia e das ameaças enfrentadas pelas espécies marinhas, incluindo espécies migratórias e de distribuição ainda pouco conhecida da espécie”, explicou.

Sobre o PMP-BS

A execução do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) é uma exigência do licenciamento ambiental federal, conduzido pelo Ibama, para as atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural na Bacia de Santos. No estado do Paraná, Trecho 6, a implementação é realizada pela equipe LEC/UFPR.

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