A produtividade média do milho na primeira safra no Brasil para a temporada 2025/26 está projetada em 119 sacas por hectare, conforme estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). No entanto, o agricultor paranaense Eduardo Pletz, residente em Guarapuava (PR), conseguiu superar essa média de forma impressionante, alcançando um total de 369,92 sc/ha e estabelecendo um novo recorde nacional. Esse feito notável foi o grande destaque do Concurso Getap Verão 2026, promovido pelo Grupo Tático de Produtividade do Milho.
Eduardo Pletz tomou uma decisão decisiva há mais de dez anos que alterou o rumo de sua trajetória profissional. Após formar-se em Medicina Veterinária e trabalhar por mais de dez anos na área de nutrição animal em uma cooperativa relevante em seu estado, ele optou por deixar seu emprego e retornar à propriedade rural da família para ajudar seu pai a manter o legado iniciado pelo avô.
Essa escolha foi impulsionada pelo início do processo de sucessão familiar e se transformou em uma história de sucesso no agronegócio. “Em 2016, decidi voltar à nossa propriedade para trabalhar junto com meu pai e assegurar a continuidade dos negócios familiares. Atualmente, gerimos juntos toda a operação agrícola e estamos preparando meu filho, que estuda Agronomia e participa ativamente das atividades. É um conhecimento que se transmite entre gerações, sempre incorporando novas tecnologias”, declara o agricultor.
OS SEGREDOS DO CAMPEÃO
A propriedade da família Pletz abrange 110 hectares e adota um sistema produtivo que prioriza a diversificação e a rotação de culturas. Durante o verão, cerca de 30% da área é destinada ao cultivo do milho, enquanto 70% são ocupados pela soja. No inverno, as áreas anteriormente cultivadas com soja recebem cevada e trigo, enquanto as destinadas ao milho são plantadas com culturas de cobertura como ervilha, ervilhaca e aveia, com o objetivo de melhorar a estrutura do solo e sua fertilidade.
De acordo com o produtor, o recorde obtido não é fruto apenas de uma única ação isolada, mas sim da construção cuidadosa de um sistema produtivo desenvolvido ao longo dos anos. “O manejo e a preservação do solo começaram com meu avô; nós apenas continuamos esse trabalho. Quando as áreas são bem administradas, juntamente com atenção aos detalhes, uso da tecnologia e condições climáticas adequadas, os resultados aparecem. Não existe uma fórmula mágica; é algo construído ao longo do tempo”, explica.
Outro fator que contribui para o sucesso é a adoção de tecnologias fundamentadas em pesquisas regionais. Pletz enfatiza que todas as decisões técnicas realizadas na fazenda são embasadas nas recomendações da Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária (FAPA), responsável pela validação de materiais genéticos e práticas agrícolas adaptadas às condições locais. “Neste ano utilizamos variedades inovadoras com genética avançada e algumas melhorias tecnológicas que ajudaram a impulsionar ainda mais nossos resultados. O híbrido P25300PWU da Pioneer® Sementes está em seu primeiro ano comercial e já mostrou um grande potencial produtivo”, ressalta.
Além disso, ajustes precisos no manejo combinados com condições climáticas favoráveis também foram fundamentais para o sucesso. “Tivemos noites frias seguidas por dias quentes e uma boa distribuição das chuvas. Isso favoreceu o desenvolvimento das plantas; no entanto, tudo isso só traz resultados quando todo o sistema está devidamente preparado”, acrescenta Pletz.
RECONHECIMENTO
O desempenho no concurso refletiu-se também na fazenda, que alcançou a maior produtividade média registrada em sua história. Para Pletz, agora o foco é adaptar as tecnologias utilizadas na área campeã para outras partes da propriedade sempre que possível. “Nem todos os métodos podem ser replicados exatamente nas áreas maiores, mas tudo o que for viável será incorporado. A agricultura demanda evolução contínua; estamos comprometidos com isso”, afirma o agricultor.
Embora tenha sido surpreendente ver uma lavoura cultivada em regime de sequeiro superar produtividades obtidas em áreas irrigadas, Pletz acredita que o verdadeiro legado dessa conquista vai além dos números apresentados. Ele vê no concurso uma oportunidade para incentivar a busca contínua por conhecimento entre os produtores: “O Getap motiva os agricultores a evoluir anualmente. O mais relevante é compartilhar experiências; cada região tem suas particularidades e todos aprendem quando trocam informações. Precisamos colaborar para tornar a agricultura cada vez mais eficiente e produtiva”, finaliza.
Esse trabalho de manejo e estruturação do solo vem desde o meu avô; nós apenas damos continuidade. Quando existem áreas bem manejadas aliadas ao capricho, à tecnologia apropriada e às condições climáticas favoráveis, os resultados se manifestam. Não há receita pronta; é um processo gradual construído ao longo dos anos.”
O CONCURSO
O Concurso Getap reconhece não apenas os produtores com os maiores rendimentos do país, mas também visa incentivar boas práticas agrícolas e promover intercâmbio de conhecimento entre agricultores, pesquisadores, consultores e empresas do setor agropecuário. Na edição Verão 2026, os resultados evidenciam avanços tecnológicos significativos na cultura do milho, refletindo produtividades recordes e crescente participação de agricultores provenientes de diversas regiões brasileiras.
Gustavo Capanema, coordenador técnico do Getap, ressalta que os resultados obtidos pelos participantes demonstram um acesso ampliado à informação sobre novas tecnologias e recomendações agronômicas no campo: “A produção de milho está presente praticamente em todo território brasileiro com tetos produtivos altíssimos. Isso revela que as tecnologias desenvolvidas por empresas, técnicos e pesquisadores estão sendo amplamente disseminadas”, observa.
Capanema complementa afirmando que neste contexto a conquista da família Pletz simboliza não apenas um recorde produtivo mas também é resultado de um planejamento cuidadoso focado na sucessão familiar, manejo adequado do solo e aplicação consistente de tecnologias validadas por pesquisas científicas. “Esses elementos sem dúvida contribuirão para aumentar ainda mais o potencial produtivo da agricultura brasileira”, conclui Capanema.
