Espaços públicos como praças, centros de apoio para idosos e instalações administrativas, que anteriormente pareciam fora do alcance de pequenos municípios, estão se tornando realidade graças ao Projetek Unicentro. Este programa, que funciona como o Escritório Regional de Engenharia, Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), já beneficiou 24 cidades menores, promovendo melhorias na infraestrutura urbana em várias áreas do Paraná.
O Projetek é coordenado pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (Seti) e adota a metodologia BIM (Modelagem da Informação da Construção) para desenvolver projetos voltados a municípios com população de até aproximadamente 30 mil habitantes. Muitas dessas localidades enfrentam a falta de equipes técnicas adequadas para lidar com suas necessidades específicas.
Dentre as cidades que já receberam suporte estão Turvo, Rio Bonito do Iguaçu, Boa Ventura de São Roque e Nova Tebas. As prefeituras costumam solicitar principalmente a construção ou renovação de praças, secretarias municipais e centros destinados ao convívio de idosos. Um dos projetos recentes que gerou um impacto social significativo foi o Etno Parque Ré Sĩ Kaingang em Manoel Ribas, criado para promover e valorizar a cultura indígena no estado.
A coordenadora do Projetek na Unicentro, Jéssica Vegas, enfatiza que o efeito das ações nas pequenas cidades é profundamente transformador. “Esse projeto traz diversos benefícios à comunidade, resultando em avanços significativos na infraestrutura urbana, criação de espaços para lazer da população, melhorias na saúde e adequação das áreas administrativas”, afirma.
Além de atender às necessidades locais, a atuação da equipe da Unicentro destaca-se pela complexidade técnica dos projetos desenvolvidos. Jéssica menciona que algumas iniciativas se tornaram modelos exemplares para o estado do Paraná e podem ser replicadas em outras cidades. Entre esses modelos estão a Casa da Mulher Paranaense, a Reforma da Biblioteca Cidadã, o Barracão da Unidade de Valorização de Resíduos (UVR) da Itaipu e o Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras). Este último projeto exigiu uma estrutura robusta com quase 2 mil metros quadrados, atendendo rigorosos padrões ambientais e sanitários.
“O projeto proporciona muitos benefícios para a comunidade, pois devido a eles foram entregues grandes resultados de infraestrutura urbana, espaços de lazer para a população, área de saúde, e adequação de espaços da administração pública”
Formação prática profissional
O programa atua como um verdadeiro catalisador profissional para estudantes e recém-formados. Atualmente, conta com uma equipe composta por oito bolsistas que inclui tanto profissionais técnicos (arquitetas e engenheiras civis) quanto alunos em iniciação científica. Geovana Leite, arquiteta e urbanista de 24 anos que ingressou no programa em 2024, ressalta como essa experiência tem sido fundamental em sua formação: “O Projetek tem enriquecido meu currículo com vivências práticas em projetos reais aplicáveis aos municípios. Isso oferece uma experiência que vai além do ambiente acadêmico e complementa minha trajetória anterior em escritório particular ao englobar demandas mais amplas entre as disciplinas”, relata.
A percepção dos estudantes é corroborada pela coordenação. Jéssica explica que as atividades realizadas no escritório simulam com precisão o funcionamento do mercado profissional. “A dinâmica aqui é semelhante àquela encontrada em qualquer outro escritório: desde o primeiro contato com os interessados até a entrega final do projeto executivo. Essa estrutura permite que os bolsistas adquiram habilidades para lidar com os desafios e peculiaridades inerentes aos projetos de engenharia e arquitetura, contribuindo para seu amadurecimento profissional”, conclui a coordenadora ao lembrar que os participantes saem da universidade munidos de um rico portfólio profissional.
