O Brasil continua a sonhar com o hexacampeonato na Copa do Mundo de 2026. Na segunda-feira (29), a equipe verde e amarela superou o Japão por 2 a 1 em Houston, nos Estados Unidos, avançando para a próxima fase da competição.
O primeiro tempo foi repleto de tensão, com passes imprecisos e domínio japonês, resultando no gol adversário. No entanto, na segunda metade da partida, a seleção comandada por Carlo Ancelotti conseguiu pressionar os Samurais Azuis (como é conhecido o time japonês) e, após mostrar paciência, foi recompensada com um gol emocionante de Gabriel Martinelli nos acréscimos. O atacante, que entrou como substituto, foi decisivo para garantir a classificação.
Agora, o Brasil aguarda o vencedor do confronto entre Noruega e Costa do Marfim, marcado para as 14h (horário de Brasília) desta terça-feira (30) em Dallas. O jogo das oitavas de final ocorrerá no domingo (5), às 17h, em Nova Jersey, também nos EUA. Este embate era considerado uma disputa entre “mestre” e “discípulo”, já que o Japão se inspira fortemente no futebol brasileiro. Ídolos como Zico, que é uma lenda tanto no Flamengo quanto na seleção brasileira, e Ruy Ramos, ex-jogador que se naturalizou japonês e contribuiu para o desenvolvimento do esporte no país asiático, são admirados por lá.
A influência do futebol brasileiro na cultura japonesa é notável. Um dos animes mais queridos no Brasil nos anos 1990, “Super Campeões”, narra a história de Oliver Tsubasa, um personagem que tem como base Musashi Mizushima. Este jogador defendeu o São Paulo entre 1975 e 1985. No desenho animado, Tsubasa compete até mesmo em uma versão fictícia do clube paulista chamada “Brancos”.
Curiosamente, o episódio final de “Super Campeões” representa a final da Copa do Mundo de 2002 – na qual o Japão foi um dos países-sede – entre Brasil e Japão. O anime termina antes do apito inicial da partida, deixando sua conclusão em aberto; na versão em mangá, os japoneses saem vitoriosos. Nos últimos dias, fãs da série consideraram o jogo desta segunda como uma “continuação” daquela disputa anterior. Felizmente para os torcedores brasileiros, desta vez a vitória foi nossa.
Uma primeira etapa complicada
Repetindo a escalação que venceu a Escócia por 3 a 0 na quarta-feira (24), em Miami (EUA), o Brasil começou dominando e quase não deu chances ao Japão nos primeiros minutos. Aos 12 minutos, Matheus Cunha teve uma grande oportunidade ao receber passe de Bruno Guimarães na entrada da área; ele arriscou um chute rasteiro que exigiu uma boa defesa do goleiro Zion Suzuki.
Os Samurais Azuis conseguiram resistir à pressão inicial brasileira e equilibrar as ações. Com uma marcação adiantada, aproveitaram um erro de Danilo e abriram o placar aos 28 minutos: Kaishu Sano recuperou a bola e avançou pelo meio antes de vencer Casemiro – já advertido com cartão amarelo – com um chute preciso no canto direito de Alisson.
A partir desse momento, o Brasil teve dificuldade para se aproximar da área rival como havia feito inicialmente; Vinícius Júnior e Rayan estavam bem marcados nas laterais. A ansiedade tomou conta da seleção canarinho que tentava apressar as jogadas mas acabava cometendo erros que permitiam ao Japão controlar mais a posse de bola.
A pressão aumenta
No segundo tempo, Endrick entrou na vaga de Lucas Paquetá devido a dores na coxa esquerda deste último.
O cenário se tornou claro: enquanto o Japão recuava sua linha defensiva, o Brasil buscava atacar com jogadas aéreas. Com seis minutos jogados, Danilo fez um cruzamento pela direita que Bruno Guimarães cabeceou em direção ao gol forçando Suzuki a realizar uma excelente defesa. Em outra oportunidade aos oito minutos, Rayan levantou na área e Douglas Santos ajeitou para Casemiro chutar perto da linha do gol; porém Takehiro Tomiyasu salvou em cima da linha.
A insistência brasileira finalmente trouxe resultados logo após essa tentativa: Gabriel Magalhães recebeu um passe de Vinícius Júnior pela esquerda e cruzou bem para Casemiro marcar com um cabeceio firme.
Com o empate conquistado, a confiança brasileira aumentou enquanto os japoneses passaram a ficar nervosos. Aos 12 minutos da etapa complementar, Vinícius Júnior fez uma grande jogada pela esquerda driblando Tomiyasu e entrando na área; ele chutou cruzado acertando a trave após deixar Sano para trás com um drible habilidoso.
Paciência traz recompensa
Com as jogadas fluindo pelos lados do campo, Ancelotti optou por colocar Gabriel Martinelli no lugar de Matheus Cunha. A movimentação entre Martinelli e Vinícius Júnior se alternava pela esquerda enquanto Endrick fazia companhia centralmente.
A intensidade dos primeiros momentos do segundo tempo diminuiu um pouco; mesmo assim o Brasil continuou ocupando espaço ofensivo. O jogo tornou-se um teste de paciência: os jogadores brasileiros trocavam passes buscando brechas até encontrar uma boa oportunidade para arriscar ou fazer um cruzamento adequado. O Japão se apresentava em postura reativa preparado para contra-atacar ao menor vacilo dos adversários.
Quando parecia que o jogo iria para prorrogação – com Casemiro recém-substituído devido à lesão (Fabinho entrou) – Gabriel Martinelli brilhou aos 49 minutos: Bruno Guimarães deixou-o livre diante de Suzuki após receber passe de Rayan. O jogador chutou cruzado e a bola ainda tocou na trave esquerda antes de estourar em festa entre os cerca de 68 mil torcedores presentes no estádio em Houston.
