terça-feira, julho 21

Simulados de Desastres no Litoral Paranaense Visam Enfrentar os Efeitos do El Niño

Fenômeno influencia o deslocamento de umidade e calor da Amazônia para o Sul do Brasil – historicamente, a região Norte enfrenta períodos de seca enquanto o Sul recebe mais chuvas, conforme declara meteorologista do Simepar

O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) realiza um acompanhamento semanal do fenômeno El Niño, um padrão climático natural que tem um impacto significativo no clima global e que está previsto para ocorrer no segundo semestre.

A Defesa Civil do Paraná também se prepara para o inverno de 2026, orientando as prefeituras sobre ações preventivas, treinamento e simulações, além de disponibilizar recursos necessários para enfrentar os desafios climáticos.

“O fenômeno El Niño se caracteriza pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, o que resulta em maior calor e umidade na formação de tempestades na região equatorial. Isso provoca mudanças nas condições dos ventos e afeta a circulação atmosférica ao redor do mundo. Na América do Sul, isso implica em um aumento no transporte de umidade e calor da Amazônia em direção ao Sul do Brasil. Historicamente, essa situação resulta em secas no Norte e chuvas mais intensas no Sul”, esclarece Reinaldo Kneib, meteorologista do Simepar.

A análise das previsões relacionadas ao El Niño em comparação com as anomalias mensais observadas pelo Simepar indica que o inverno de 2026 deverá apresentar temperaturas mais amenas em relação ao ano anterior, com menos episódios de frio intenso. Embora as chuvas deste segundo semestre sejam esperadas com maior intensidade, elas serão irregulares e persistentes. A expectativa é que todas as regiões experimentem precipitações acima da média histórica, especialmente na parte sul do Paraná, que costuma ser mais impactada por esse fenômeno.

Uma nota técnica sobre o fenômeno foi elaborada pelo Simepar e pela Defesa Civil e apresentada à imprensa na quarta-feira (13).

Na terminologia internacional, ENOS refere-se à oscilação entre o aquecimento (El Niño) e resfriamento (La Niña) das águas do Pacífico Equatorial. O Climate Prediction Center da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA) considera o ENOS como um dos fenómenos climáticos mais relevantes devido à sua capacidade de modificar a circulação atmosférica global.

Esse fenômeno afeta tanto a temperatura quanto a precipitação em diversas partes do planeta. Através da análise do ENOS, é possível antecipar seus impactos climáticos mais severos numa determinada região.

A NOAA classifica a evolução do El Niño trimestralmente, utilizando uma média móvel de três meses comparada a uma média histórica de 30 anos. Entre abril e junho deste ano, as águas mantêm-se em estado neutro. Contudo, com a chegada do inverno de 2026, espera-se que o El Niño se intensifique gradativamente até alcançar níveis fortes ou muito fortes entre primavera e verão.

No mês de julho, representantes do Simepar visitarão a NOAA para uma missão técnica que visa fortalecer os laços no monitoramento desses eventos climáticos extremos. Técnicos da instituição americana já participaram anteriormente de um seminário promovido pelo Simepar focado na prevenção contra tornados realizado em março.

Preparativos

<pCom base nas análises realizadas pelo Simepar, a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) reuniu-se esta semana com os 10 Núcleos de Atuação Regional (NAR) para reforçar as ações junto aos municípios. As principais iniciativas incluem a revisão do Plano de Contingência e a atualização do mapeamento das áreas vulneráveis a inundações e deslizamentos.

A gestão preventiva também abrange atividades como desobstrução das galerias pluviais e dragagem dos canais para assegurar o escoamento durante enxurradas. Além disso, é essencial acompanhar os alertas emitidos pela Defesa Civil e monitorar encostas suscetíveis à movimentação de massa.

Conforme destacou o coronel Fernando Schunig, coordenador estadual da Defesa Civil no Paraná, o foco está principalmente nas regiões com histórico de problemas relacionados ao excesso de chuvas.

“Estamos realizando preparativos em todo o estado, especialmente nas áreas que frequentemente enfrentam enchentes ou deslizamentos. No Litoral paranaense, por exemplo, Morretes já conduziu um simulado de desastre enquanto Antonina está programando um exercício para este mês. Essas iniciativas têm nosso apoio total; são fundamentais para capacitar gestores locais e comunidades sobre como se preparar diante dessas situações”, afirma ele.

“Embora seja certo que enfrentaremos condições anormais, ainda não podemos prever quais regiões estarão mais vulneráveis nem qual será a intensidade adicional provocada pelo fenômeno nas condições esperadas para cada estação, especialmente durante a primavera. Trabalhamos em parceria com o Simepar que fornece dados essenciais para formular estratégias junto aos municípios e emitir alertas à população”, detalha Major Anderson Gomes, chefe do Centro de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cegerd).

O Fundo Estadual para Calamidade Pública (Fecap) se encontra disponível para apoiar projetos das prefeituras locais. Nos últimos sete meses foram alocados R$ 16,2 milhões destinados à obras de drenagem em Londrina e Guaratuba além da construção de sete pontes na zona rural de Espigão Alto do Iguaçu – todas estas ações visam prevenir eventos climáticos extremos.

“Os recursos estão garantidos para obras preventivas nas áreas suscetíveis. As prefeituras devem enviar os projetos aos nossos técnicos que farão uma análise criteriosa cruzando informações com os dados disponíveis no Sistema Informatizado de Defesa Civil (SISDC). Quando houver recorrência dos problemas que ameaçam a população ou causam danos significativos, iniciamos os trâmites necessários para transferências financeiras”, explica Schunig.

Este mês marca também uma grande capacitação histórica envolvendo mais de 3 mil voluntários. Aqueles que concluírem todos os sete módulos até 1º de junho estarão aptos a auxiliar durante situações extremas.

Radares Meteorológicos

Para aprimorar suas capacidades preventivas, o Simepar iniciou a contratação adicional de meteorologistas além da abertura dos editais Monitora Paraná e Monitora Litoral destinados à aquisição de novos radares meteorológicos e boias oceanográficas com suporte do Instituto Água e Terra (IAT). Este processo conta com mediação da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Sustentável.

“Estamos investindo significativamente na melhoria das previsões meteorológicas. Por meio do programa Monitora Paraná estaremos equipando novos radares que ajudarão a informar a população sobre riscos potenciais juntamente ao trabalho proativo da Defesa Civil”, destaca Everton Souza, secretário estadual de Desenvolvimento Sustentável.

Os radares adquiridos serão modelos Doppler com polarização dupla – tecnologia avançada disponível atualmente no campo meteorológico mundial. As aquisições serão divididas em três lotes distintos cada um específico para diferentes tipos: S, C e X – adequados às variadas realidades regionais paranaenses.

A licitação referente ao Monitora Paraná já foi realizada com sucesso; três compras foram aprovadas até agora. A empresa finlandesa Vaisala está responsável pela fabricação do radar banda C cuja entrega está mais avançada; testes iniciais ocorrerão em junho antes da remessa das unidades ao Brasil conforme estipulado no contrato até dezembro deste ano. 

O radar banda C será instalado em Campo Magro operando com tecnologia equilibrada entre alcance e resolução capaz de monitorar eventos climáticos regionais eficientemente dentro distâncias intermediárias variando entre 50 a 200 quilômetros; essa tecnologia possui menor interferência gerada por chuvas intensas quando comparado aos radares tradicionais operando em frequências superiores.

Já o radar banda S será fornecido pela empresa alemã Leonardo; atualmente está sendo montado visando testes programados para agosto após sua instalação prevista Jandaia do Sul no Vale do Ivaí oferecendo amplo alcance podendo detectar fenômenos climáticos até 480 quilômetros distantes.

Esse equipamento é notável por sua robustez frente às adversidades climáticas mantendo precisão mesmo durante chuvas intensas fundamental para monitorar condições climáticas extremas.

Por seu lado,o radar banda X será fabricado pela alemã Gamic; detalhes sobre cronograma serão apresentados conforme cumprimento dos requisitos editalares.Prevê-se sua instalação em Pontal do Paraná destacando-se pela alta resolução permitindo detecção precisa mesmo dos menores fenômenos meteorológicos fundamentais às análises detalhadas nas condições litorâneas já que possibilita identificar partículas diminutas oferecendo imagens superiores nessa escala específica.

No momento,o Simepar já conta com um radar banda X localizado na cidade Curitiba sobre seu prédio sede situada no bairro Jardim das Américas. 

Foi aberto edital visando aquisição adicional três radares:um deles substituirá aquele situado Teixeira Soares cujo funcionamento ultrapassa três décadas estando prestes conclusão ciclo operacional.Outros dois serão instalados no Litoral paranaense onde pregão acontecerá ainda neste mês. 

BOIA OCEANOGRÁFICA

  • O projeto Monitora Litoral abrangerá ainda implementação Sistema Modelagem Oceanográfica compreendendo aquisição boia oceanográfica assim como desenvolvimento Sistema Alertas Desastres (Early Warning System).Esses equipamentos aumentarão monitoramento nível rios condições oceanográficas proporcionando informações valiosas Coordenadoria Defesa Civil auxiliando decisões face enxurradas alagamentos ressacas. 

Alertas

A Defesa Civil Estadual mantém vigilância contínua 24 horas por dia apoiada por meteorologistas do Simepar.A estrutura disponível no Centro Estadual Gerenciamento Riscos Desastres monitora condições necessárias envio alertas quando situações se tornam mais severas.

Cidadãos interessados podem receber alertas gratuitos mediante cadastramento prévio.Simplesmente enviando seu CEP via SMS ao número 40199 habilitar-se-ão receber mensagens informativas.Por WhatsApp também é possível receber esses alertas após cadastro número 61 2034-2611 podendo incluir suas informações através CEP município localização específica.

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