No Paraná, a segunda safra de feijão é considerada a mais significativa. No entanto, informações do Departamento de Economia Rural (Deral) indicam uma queda acentuada na área cultivada durante o primeiro trimestre. A colheita deve iniciar em breve, visto que 3% das lavouras já estão em fase de maturação.
Os dados de março da Previsão de Safra Subjetiva revelam que a área cultivada atinge 239 mil hectares, conforme informado no relatório que coincide com a conclusão das atividades de semeadura. Essa área representa uma diminuição de 31% em relação à colheita da segunda safra de 2025, o que poderá resultar em um recuo de pelo menos 20% na produção total.
O boletim conjuntural do Deral observa: “Esse declínio tende a ser ainda mais pronunciado, dado o agravamento das condições das lavouras desde a última atualização. Atualmente, 72% das plantações estão em boas condições, uma queda em relação aos 76% verificados há duas semanas. As áreas em estado ruim saltaram para 8%, enquanto as mediamente afetadas passaram para 20%.”
As regiões de Pato Branco, Laranjeiras do Sul e Francisco Beltrão são as mais afetadas pela seca, concentrando juntas mais da metade da produção estadual para essa safra. Apesar das chuvas abundantes registradas recentemente, o potencial produtivo nas áreas foi comprometido. Embora as precipitações tenham aliviado temporariamente o estresse hídrico nas plantas, a média estimada de produtividade de 30 sacas, conforme o relatório de março, parece difícil de ser atingida.
Outro aspecto relevante nesta safra é que, apesar da redução geral nos cultivos, a área destinada ao feijão carioca teve um aumento. Informações da Conab mostram uma expansão de 3% na área cultivada com feijão colorido (predominantemente carioca), enquanto a queda assinalada pelo Deral se concentra nos feijões pretos.
Essa dinâmica é explicada pelos preços recebidos pelos agricultores: em março, o feijão-preto viu um aumento de 7% nos preços acumulados nos últimos 12 meses, enquanto o carioca valorizou-se em impressionantes 48%. Apesar disso, o feijão-preto ainda domina a paisagem agrícola paranaense, ocupando dois terços da área total plantada nesta segunda safra.
MILHO
O relatório do Deral também destaca que a falta contínua de chuvas no Paraná tem afetado as condições das lavouras da segunda safra de milho 2025/26. Observou-se uma nova deterioração nas condições agronômicas.
Nesta semana, enquanto anteriormente 91% da área plantada estava em boas condições, esse percentual caiu para 85% dos esperados 2,8 milhões de hectares para este ciclo.
Diante deste cenário preocupante, 16 municípios paranaenses declararam situação de emergência devido à estiagem. Em 2024, esses municípios plantaram cerca de 208 mil hectares na segunda safra de milho e espera-se que nesta safra a área seja similar aos dados disponíveis do ano anterior.
“Levando em conta que outras regiões do estado também enfrentam irregularidades nas chuvas, podemos especular que esta safra pode não ser plena e que haverá uma redução na produção final. Entretanto, é prematuro fazer previsões definitivas nesse momento; um retorno adequado das chuvas poderia proporcionar uma recuperação significativa nas lavouras”, conclui o Deral.
