A Sanepar inspecionou 2.335 propriedades de veraneio entre janeiro e março de 2023 em Matinhos e Pontal do Paraná, encontrando irregularidades em 37% delas, o que impacta os rios locais
Entre janeiro e março de 2023, a Sanepar realizou um total de 2.335 vistorias técnico-operacionais (VTO) em residências de veraneio localizadas em Matinhos e Pontal do Paraná. O principal intuito dessas inspeções foi verificar a correta conexão dos imóveis à rede de esgoto. Dentre as propriedades avaliadas, 875 apresentaram irregularidades, representando 37% do total.
Essas vistorias fazem parte de um esforço contínuo para proteger as águas da região litorânea, com intensificação das atividades durante o verão. Para a temporada de 2026, a Sanepar planeja implementar testes que irão medir os níveis de oxigênio em canais urbanos, focando nas áreas que historicamente apresentam baixos índices desse elemento.
Durante as inspeções, os proprietários recebem orientações sobre como realizar a interligação adequada do esgoto à rede da companhia. Caso os problemas não sejam resolvidos dentro de um prazo de 30 dias, a Sanepar tem a autoridade para aplicar uma sanção pecuniária, um valor calculado com base na média de consumo dos últimos cinco meses.
“Aproveitamos a presença dos turistas para não apenas realizar as vistorias técnicas, mas também promover uma educação ambiental direta”, comenta Fábio Daia dos Santos Zuza, gestor da área responsável pelas vistorias técnico-operacionais na Sanepar.
Um desafio significativo enfrentado pelas equipes é a quantidade de imóveis fechados durante as visitas. Nesses casos, são deixados comunicados oficiais com informações para agendamento das vistorias. Além disso, os proprietários podem marcar uma vistoria pelo telefone 0800 200 0115 ou nas centrais de atendimento da Sanepar.
ANÁLISES NO LITORAL – Para monitorar as alterações nos mananciais do litoral durante o período mais movimentado do ano, a Sanepar realiza análises da qualidade da água com coletas que ocorrem entre dezembro e abril. Essas avaliações são feitas nas áreas onde há captação de água para tratamento e ao longo dos canais que desembocam no mar. Um total de 16 pontos foi analisado.
Dentre os parâmetros examinados estão pH, sólidos dissolvidos, salinidade, oxigênio dissolvido e microbiologia. Os resultados das análises referentes à campanha 2025/2026 indicam um aumento nos níveis de microrganismos que podem sinalizar lançamento irregular de esgoto ou utilização inadequada do solo, além da presença de fertilizantes e resíduos animais.
Conforme explica Eduarda Lopes Postol, geóloga da Gerência de Recursos Hídricos da Sanepar, as bacias hidrográficas utilizadas pela companhia são preservadas por estarem afastadas do ambiente urbano, fator que diminui os riscos de contaminação.
“Quando a água chega à Estação de Tratamento (ETA), todos os compostos orgânicos são eliminados e os padrões legais de potabilidade são atendidos. Por isso, a água tratada pela Sanepar é segura para o consumo. Em sua origem, ela já apresenta altos padrões biológicos e passa por etapas adicionais de desinfecção antes da distribuição”, esclarece.
No entanto, canais que não servem para abastecimento público mostraram altos índices de microrganismos ao longo dos meses analisados. “Os elevados níveis de fósforo indicam contaminação por despejos irregulares”, ressalta Eduarda.
REFLEXOS – As irregularidades nas bacias afetam diretamente os padrões ambientais e quando a água bruta se mistura ao mar pode representar um risco durante atividades recreativas.
A correta ligação à rede coletora é crucial nesse contexto. Isso não só previne o transbordamento do esgoto nas vias públicas como também protege o lençol freático e contribui para manter as praias adequadas para banho, refletindo diretamente na saúde pública e na conservação ambiental.
A geóloga observa que os dados coletados auxiliam a empresa na formulação de estratégias voltadas à proteção das águas e à melhoria da qualidade dos mananciais até chegarem ao mar. “Para que tenhamos água potável e de qualidade, todo manancial deve ser mantido saudável”, afirma.
A Sanepar também desenvolve outras iniciativas além das vistorias e ações educativas sobre a importância da interligação correta do esgoto à rede coletora. Está prevista a construção de parques lineares em áreas degradadas; no litoral paranaense está em fase final o processo para implementação de um parque linear em Pontal do Paraná.
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