Entre trilhas, lagoas e manguezais, a Trilha do Ararapira, o Parque Natural Municipal da Lagoa do Parado e o Parque Natural Municipal do Manguezal do Rio Pequerê oferecem opções para quem quer se conectar à natureza
Com o apoio do Programa Biodiversidade Litoral do Paraná (BLP), o litoral paranaense vem se firmando como um dos principais destinos para quem busca turismo sustentável em meio à Mata Atlântica. Para além das praias, as Unidades de Conservação (UCs) da região oferecem ao visitante a oportunidade de vivenciar experiências que combinam contato direto com a natureza, valorização da cultura local e incentivo ao desenvolvimento das comunidades, especialmente durante o verão, quando o fluxo turístico aumenta no estado.
Visitar áreas protegidas é, ao mesmo tempo, um privilégio e um compromisso com a conservação ambiental. Atitudes simples ao longo do passeio ajudam a preservar a biodiversidade, respeitar as comunidades do entorno e garantir a manutenção dos serviços ambientais, sociais e culturais desses territórios. Iniciativas apoiadas pelo BLP no Parque Nacional do Superagui — onde a estruturação do uso público está mais avançada, com a recém-inaugurada Trilha de Ararapira — servem de referência para outras UCs do litoral paranaense com potencial de visitação e que estão em processo de estruturação para os próximos anos. É o caso do Parque Municipal Natural da Lagoa do Parado, em Guaratuba (PR), e do Parque Natural Municipal do Manguezal do Rio Perequê, em Pontal do Paraná (PR), que despontam como áreas estratégicas para receber ações semelhantes. A proposta é consolidar nesses territórios um modelo de turismo responsável, capaz de fortalecer a proteção ambiental e, ao mesmo tempo, ampliar as oportunidades de imersão qualificada na natureza.
Trilha para ciclistas e caminhantes com 15 km
No litoral norte do Paraná, o Parque Nacional do Superagui passa a contar com sua primeira trilha bimodal estruturada e aberta à visitação pública permanente. Financiada pelo BLP, a Trilha do Ararapira surge como uma nova opção para quem busca contato com a natureza, paisagens preservadas da Mata Atlântica e a vivência da cultura caiçara. Com 15 quilômetros de extensão, o percurso integra a Travessia do Superagui, rota de aproximadamente 40 quilômetros que corta a ilha de norte a sul.
A travessia completa é formada pelos trechos da Trilha do Ararapira (15 km), da Praia Deserta (21 km) e da Trilha da Praia Deserta (3 km), conectando praias isoladas, áreas de mata preservada e comunidades tradicionais ao longo do caminho. A iniciativa é coordenada pelo Núcleo de Gestão Integrada Antonina–Guaraqueçaba do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Localizada na porção norte da Ilha do Superagui, a Trilha do Ararapira atravessa a comunidade de Barra do Ararapira e foi estruturada em dois segmentos. O primeiro tem três quilômetros de extensão e conta com cinco pontes suspensas. O segundo trecho soma 11 quilômetros, com duas pontes suspensas e uma passarela de 50 metros que permite a travessia segura de áreas alagadas. Todo o percurso segue os padrões da Rede Brasileira de Trilhas de Longo Curso e Conectividade (RedeTrilhas).
A criação da trilha atende a uma demanda histórica das próprias comunidades do território. A reabertura do caminho começou de forma local, motivada pelas dificuldades de navegação após o rompimento de uma barra na Ilha do Cardoso (SP). Inicialmente, o trabalho foi feito exclusivamente pelos moradores, com ferramentas simples e sem apoio externo. O processo acabou sendo interrompido durante a pandemia, mas ganhou novo fôlego com os recursos do BLP e o apoio técnico do ICMBio, passando a ser estruturado também com foco no Turismo de Base Comunitária (TBC).
Para Márcio José Muniz, líder comunitário da Barra do Ararapira, os impactos da abertura da trilha já são percebidos na comunidade. “Depois da inauguração da trilha, tenho recebido mais mensagens e pedidos de reserva”, relata. Segundo ele, o interesse dos visitantes vai além do percurso e inclui aspectos culturais do território. “Algumas pessoas perguntam sobre as histórias da região de Ararapira. A Cataia também é um ponto bem forte daqui”, destaca.
A Cataia é uma bebida típica e bastante popular no litoral norte do Paraná e no Vale do Ribeira, no litoral sul de São Paulo. Preparada a partir das folhas de uma planta medicinal que leva o mesmo nome, a bebida é curtida em cachaça e carrega saberes transmitidos de geração em geração pelas comunidades caiçaras da região.
Na avaliação do líder comunitário, o fortalecimento do TBC amplia as oportunidades econômicas e contribui para a conservação ambiental. “A trilha oferece mais oportunidade de trabalho para quem quer investir no turismo, e as pessoas, tendo mais oportunidade, acabam não usando tanto os recursos da natureza”, afirma.
Embora seja uma alternativa de desenvolvimento local, o turismo também gera impactos ambientais e envolve o uso direto de recursos naturais, o que exige planejamento, regras claras e monitoramento contínuo, especialmente em UCs que estão em processo de estruturação para receber visitantes. Há experiências bem-sucedidas de turismo de natureza que conciliam geração de renda e conservação, como em Bonito (MS), reconhecidas pelo modelo de gestão e controle de visitação. O desafio, portanto, é assegurar que o turismo, mesmo dentro de UCs, seja conduzido de forma responsável e sustentável, de modo a fortalecer os objetivos de conservação.
Como chegar à Trilha do Ararapira
Fonte: BLP / Texto: Jéssica Amaral / DePropósito Comunicação de Causa
O turismo sustentável no litoral do Paraná está ganhando destaque, proporcionando aos visitantes a oportunidade de explorar áreas protegidas repletas de biodiversidade. Com trilhas, lagoas e manguezais, destinos como a Trilha do Ararapira, o Parque Natural Municipal da Lagoa do Parado e o Parque Natural Municipal do Manguezal do Rio Pequerê oferecem experiências únicas para quem deseja se conectar com a natureza.
No Parque Nacional do Superagui, a Trilha do Ararapira se destaca como a primeira trilha bimodal estruturada aberta à visitação pública permanente. Com 15 quilômetros de extensão, a trilha integra a Travessia do Superagui, proporcionando aos visitantes paisagens preservadas da Mata Atlântica e um contato direto com a cultura caiçara.
Outro destaque é o Parque Municipal Natural da Lagoa do Parado, em Guaratuba, que oferece uma experiência de contemplação e imersão na natureza. Localizado em uma área remota da Mata Atlântica, o parque proporciona aos visitantes uma experiência sensorial e contemplativa, destacando-se pela rica avifauna e pela paisagem da Serra do Mar.
Por fim, o Parque Natural Municipal do Manguezal do Rio Perequê, em Pontal do Paraná, amplia a oferta de experiências de turismo de natureza ao valorizar os ecossistemas sensíveis da região, como os mang
